Resenha: Don't worry, Mama - Konohara Narise

Título: Don't worry, Mama
Autora: Konohara Narise
Tipo de texto: romance
País: Japão
Ano: 2005

Sinopse: Deixado em uma ilha deserta durante uma visita a negócios, Yuichi tem de conviver com seu chefe inútil e gordo, Imakura, até que alguém perceba que eles estão desaparecidos! 
Assim que os dois passam mais e mais tempo juntos, a fachada de "bom garoto" de Yuichi começa a sumir, e...!


Don't worry, Mama é o primeiro livro de uma série de três de Konohara Narise. São estes:

1. Don't worry, Mama (mostrando o relacionamento de Yuichi e Imakura)
2. Nuganai Otoko (1) - mostrando o relacionamento entre Fujiwara e Kaitani, colegas de Yuichi.
3. Nuganai Otoko (2) - continuação do anterior.

Nesta resenha, falarei sobre o primeiro livro, Don't worry, Mama. Os outros trabalhos serão abordados posteriormente.

Yuichi é um trabalhador exemplar: nunca chega atrasado, completa o que lhe confiado e até mesmo suporta o abuso verbal de seu chefe, Imakura, com um sorriso no rosto. Por dentro, porém, o que ele mais gostaria de fazer é largar tudo e ensinar umas boas maneiras a certas pessoas...

Durante uma viagem a negócios (Yuichi e Imakura trabalham em uma indústria farmacêutica), os dois acabam se perdendo em uma ilha deserta. Para completar, não há como contatar alguém pelo celular. Só lhes resta esperar ajuda.

Imakura continua insuportável como sempre, mas Yuichi, ao ver os dias passarem e nada mudar, passa a tratá-lo com a maior sinceridade possível, de uma maneira bastante crua e direta. Seu chefe não gosta e tenta evitá-lo e denegri-lo a todo custo, mas é preguiçoso demais e logo começa a passar dificuldades, já que Yuichi se nega a ajudá-lo. Por fim, os dois passam a viver em uma certa harmonia, conhecendo melhor um ao outro. Yuichi passa a entender melhor Imakura, até mesmo a gostar dele.

Seu chefe, que era uma pedra em seu sapato, passa a ser irresistível para ele. Imakura, porém, não faz ideia. A história gira em torno deste amor "único" entre os dois, enquanto esperam que alguém venha resgatá-los.

Em uma resenha anterior, disse que não gostava muito de romances românticos japoneses. Não pretendo me alongar muito sobre outro livro, mas devo dizer que esta opinião mudou severamente. Depois de refletir muito sobre Utsukushii Koto, percebi que gostava muito do gênero - e decidi procurar mais livros com a temática. Don't worry, Mama foi o segundo deles.

Confesso que a sinopse e a capa me ganharam. Creiam-me: é tão raro ver algo diferente dos padrões de beleza (como a magreza e a beleza), sem contar em um romance yaoi. Este livro, no começo, me pareceu quase uma raridade, o que apenas me motivou mais na leitura. Todavia, logo percebi que este não seria o caso. Embora fique claro que Yuichi deseja Imakura e se apaixona por ele quando seu chefe ainda é gordo, a autora não ousou colocar ilustrações desta fase. Apenas "indícios" de Imakura aparecem: mãos, pernas, contorno do rosto... Nada de corpo inteiro, muito menos a face (deem uma boa olhada na capa). Entendo que acrescente algo ao "mistério" que o livro promete trazer, mas, para mim, pareceu mais uma "muleta". E, é claro, Imakura só aparece de fato nas ilustrações quando já está magro e deslumbrante, algo no estilo "Cinderela" que me deixou muito, mas muito incomodada.

Outra coisa que não caiu muito bem: a história parece meio corrida, como se autora tivesse um limite de páginas ou algo assim e tivesse que pular algumas partes para chegar ao final. Parece aquele resumo de alguma história que fazemos para alguém, informalmente: contamos os acontecimentos gerais e importantes e deixamos os detalhes no escuro. Todavia, em um romance, eles são muito importantes, cruciais. Com muitos detalhes, a história fica floreada, exagerada. Com poucos, fica corrida, superficial. E, em ambos os casos, perde a sensação de veracidade. 

Um adendo: sim, eu sei que as histórias yaoi geralmente são bastante fantasiosas e isto deve ser levado em consideração. Há, todavia, um certo nível basal de realidade que não deve ser deixado de lado, ou a fantasia toma conta e a conexão do leitor com a história se perde. Este nível "basal" foi quase inexistente aqui - me comovi com Imakura, achei muito fofo o amor entre os dois, mas não me senti conectada com a história em momento algum. Passou muito rápido para que isso pudesse acontecer.

Sobre a parte sexual, que é indispensável para esse gênero, devo reforçar a falta de veracidade: foi algo muito... cru. Imperfeito ao ponto de parecer uma grande piada da autora. As mentiras que Yuichi conta para poder transar com Imakura são tão ridículas que, sinceramente, só sendo uma pessoa extremamente boba e desatenta para acreditar nelas.

O foco narrativo é em terceira pessoa do singular, onisciente, centrado no ponto de vista de Yuichi. Ainda assim, Imakura é a personagem mais explorada, o que acredito ter sido uma decisão acertada (embora Yuichi também merecesse uma atenção maior, para que sua redenção não parecesse tão artificial). 

Não senti uma grande angústia pelo casal principal, como nas leituras anteriores. Isso se deve à falha de conexão já acima citada.

O final foi muito bonito e fofo, mas bastante previsível, o que pouco acrescentou à opinião que tive sobre o livro.

Acredito que a capa seja um dos poucos pontos bons desta leitura. É colorida, chama a atenção, mas o desenho não é muito caprichado, parece um tanto amador.

Para finalizar, Don't worry, Mama é um livro clichê, lugar-comum: ótimo para passar o tempo, mas não é marcante o suficiente para que alguém queira lê-lo novamente ou lhe destine alguma reflexão mais elaborada.

Nota: 2/5 estrelas (regular)

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