Cartas do Passado (Orgulho & Preconceito) - Capítulo 5


Classificação: Livre;
Fandom: Orgulho e Preconceito - Jane Austen;
Par: Elizabeth Bennet/Fitzwilliam Darcy; 
Gênero: Universo Alternativo;
Avisos: Não;

Sinopse: Darcy não salvou o dia. As consequências mudam de forma quase irreversível o curso desta história.
Eis que, 10 anos depois, o destino clama por uma última revisão das escolhas de cada um antes que o capítulo final seja escrito definitivamente.
Ainda há esperança.

Capítulo 5 - Os belos olhos
Darcy retirou o envelope da caixa e o sentiu um pouco mais volumoso.
– Lizzie, acredito que não são fotos!
Ela se aproximou e retirou o pacote das mãos dele.
– Ao que parece, – olhou dentro – este envelope contém fitas de vídeo!
Darcy empalideceu imediatamente.
– Fitas? Por que justamente as fitas?
Lizzie assistiu ao homem descabelar os cabelos.
– Hei, calma! Por que elas o deixam tão nervoso?
O olhar de súplica quase a fez desistir.
– Você não vai gostar de saber. Mesmo.
– Combinamos que continuaríamos com o plano deles, certo? Pense no futuro. Nos benefícios. Eu, pelo menos, estou acreditando nisso.
Darcy suspirou, mas anuiu.
– Certo. Vamos assistir a esta fita de uma vez por todas!
Acompanhou-a até uma sala com um reprodutor de k-7, inseriu a fita e entregou o controle nas mãos de Lizzie.
“10 de agosto de 2002, 15:20.
(Os pais de Isadora oferecem um almoço aos amigos da filha. Vários jovens, incluindo as irmãs Bennet e Lucas e os primos da anfitriã, estão presentes. A música de fundo é um rock suave. Bingley decide dar vazão à sua paixão: filmar. Porém, Jane ocupa sua atenção e ele repassa a câmera à Kitty, que se posta atrás de Charlotte e Lizzie.)
– Char, Jane e Bingley foram feitos um para o outro, não? Ele lhe é tão atencioso, gentil! Se a conheço bem, diria que está se apaixonando muito intensamente!
– Será que ele o percebe também, Lizzie? – Replicou a outra, apontando na direção da Bennet mais velha, que sorria de forma contida.
Elizabeth riu.
– Se não percebe, é um cego.
Charlotte revirou os olhos.
– Ele não a conhece como nós, cabeçuda!
– Kitty, saia daqui com essa câmera! – A câmera estremece e um riso estridente é ouvido, mas o foco da filmagem permanece. – Char, Jane é tímida e reservada. Como poderá incentivá-lo de forma mais incisiva? Seria outra pessoa!
– Eu sei, eu sei, mas é que eles não ficaram sozinhos tempo o suficiente para estes sentimentos aflorarem, minha querida. Bingley é inseguro, é perceptível. Será que continuará a manifestar estes sentimentos por Jane se não obtiver uma resposta favorável?
– Reafirmo: se não perceber que ela só tem olhos para ele, então que pare de demonstrar interesse, pois não a merecerá.
– Lizzie, eu adoro Jane. Somos amigas há muitos anos! Espero de coração que Bingley saiba reconhecer o que percebemos de longe.
– Kitty, saia já daí! – A câmera é empurrada para longe das meninas e capta os olhos de Fitzwilliam Darcy focados em Elizabeth. Logo em seguida, a imagem se apaga.”
O homem estava lívido na cadeira.
– Você está bem? – Pausou o vídeo.
Ele respirou fundo.
– Só-só me assustou um pouco ver o quanto era diferente na época.
Ela riu.
– Bastante diferente, com certeza! – Mas estava desconfiada de que o motivo real não era aquele. – Vamos continuar? Podemos jantar depois!
– Claro – e voltou os olhos para a TV.
Com um revirar de olhos, Elizabeth apertou o play.
“Na mesma festa.
A posse da câmera volta ao dono, que está sentado perto de Darcy. Ao lado deste, em outro sofá, senta-se Elizabeth.
– Sobrinho querido! – E o pai de Isadora se aproxima de Darcy. – Um dos maiores prazeres de minha vida é ver jovens cultos conversando sobre assuntos inteligentes. À juventude falta a sabedoria, e à velhice, o vigor. Posso assegurar que Eliza aqui – e senta-se ao lado dela – possui essas qualidades.
– Decerto que as possui, tio. – E com um olhar grave sobre a moça: - Com toda a tecnologia e a rapidez crescente de informação, eu me decepcionaria muito se fosse diferente.
O tio sorriu.
– Bingley gosta de conversar, mas este não é o seu feitio, Will.
– Faço-o sempre que minha atenção é despertada.
– Sim, é verdade. E quando isto acontece, tenho grande prazer em ouvi-lo.
Virou-se para Lizzie, que tentava não rir.
– Eliza, querida! Que maravilhosa oportunidade. Você e meu sobrinho são muito similares, embora fale um pouco mais que ele. – Voltou-se novamente para o rapaz. – Posso assegurar-lhe que esta é a melhor interlocutora desta sala! Permita-me apresentá-los e...
A moça se levantou bruscamente.
– O senhor é um cavalheiro, mas se engana ao pensar que me sentei aqui em busca de companhia. Neste momento, estou em busca de silêncio.
– Mas isto seria um sacrilégio! Com tamanho talento!
Darcy se manifestou:
– Fique, Elizabeth, estou apreciando esta conversa.
Ela sorriu de forma debochada.
– É muito gentil. – Deu meia-volta e saiu do local, seguida pelo pai de Isadora.
– Acho que sei o que está pensando.
Era Caroline, deslumbrante como sempre. Esta se sentou ao lado do amigo.
– Não posso acreditar.
– Você está medindo o horror de passar seus dias em companhia de pessoas tão... bárbaras. Concordo plenamente.
– Está enganada. Estive pensando no prazer de belos olhos no rosto de uma mulher.
– Ora! – Ela se sentiu lisonjeada. – Posso saber quem é a musa inspiradora?
– Eliza Bennet.
A expressão indignada de Caroline fez o irmão rir.
– Desde quando a aprecia? Se bem me lembro, praticamente a insultou na festa de Isadora e...
Continuou a destilar seu veneno, porém Bingley encontrou um assunto Bennet muito mais interessante e a gravação se encerrou."
O homem estava de olhos fechados.
– Uau!
– Terrível, não?
– Você era tão diferente! Tão...
– Arrogante?
Ela sorriu amarelo.
– Bem, sim. Até seus elogios a mim pareciam xingamentos!
Darcy olhou para baixo.
– Muito se passou desde aquela época...
Elizabeth se calou por um momento.
– Sabe... Eu sempre achei que você se uniria à Caroline.
– Sério? – Ele estava genuinamente espantado.
– Vai me dizer que não sabia que ela era louca por você?
– Ainda é. Por que eu me apaixonaria por ela?
– Bem, ela era simplesmente linda. Seus gênios eram bastante compatíveis (ao menos no momento da fita), se conheciam desde sempre, sua tia aprovaria, eu me casei com o homem que você mais odiava...
– Caroline era e é tudo isso, mas eu nunca, nunca senti algo desta magnitude por ela.
– Não faz sentido! Por quê?
– Lizzie, eu era um bastardo arrogante e orgulhoso, mas nunca faria mal a ninguém. Ao menos, não gratuitamente. Todas as minhas ações são pautadas no bem-estar das pessoas que amo. Caroline estava disposta a fazer o que pudesse para alcançar seus objetivos. Seu orgulho servia somente para torná-la mais egoísta. – Respirou fundo. – Se amor é filho da admiração, então nunca poderei sentir por ela... – “o que senti por você.”
Os dois ficaram em silêncio por um momento.
– Se me dá licença, vou tomar um banho. – Disse Darcy, totalmente sem graça, e saiu do cômodo.
Lizzie apoiou a cabeça no joelho e lamentou, mentalmente, aquele fatídico dia de Julho.

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