RESENHA: Mago: Aprendiz, de Raymond E. Feist



Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 432
ISBN: 9788567296005



Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro destemido ao serviço do rei. Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para sempre. Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa, mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia… ou morrer. Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos.


Mago: Aprendiz é o primeiro livro de A Saga do Mago, escrita pelo brilhante Raymond E. Feist. Tinha todos os quesitos para ser um excelente livro de literatura fantástica: boa história, capa incrível, enredo excelente, mas que não foi trabalhado da maneira correta. Você vai entender tudo isso e o motivo de Mago: Aprendiz ter sido uma adorável decepção.

Adorável? Sim, afinal eu achei a história interessante. No início, comecei bem animado, lendo como se não houvesse amanhã. Ah, meu deus! Não posso dormir! Preciso ler Mago: Aprendiz! Olha essa capa, olha esse mapa! Bom, esse era o meu pensamento até começar a leitura.


“Pug ficou petrificado. Imaginara-se liderando o exercito do Rei em combates como Tenente da Corte, ou um dia descobrir ser o filho perdido de um membro da nobreza. Nos seus devaneios de criança, navegara em navios, perseguira monstros enormes e salvara a nação.”

As primeiras páginas são bem agradáveis, mostra a história em si e a vida de Pug, que é o nosso mago que de mago não tem quase nada. Ainda estou tentando lembrar dos poucos momentos em que realmente existe fantasia no livro. Foram pouquíssimos. E os momentos em que Pug mostra sua força – ou tentando aprender seus feitiços – foram cenas básicas, pouco trabalhadas.

Pug é um menino órfão criado por Magya e Megar, todos os anos ele passa por um ritual e por que não dizer teste? Para se candidatar ao posto de aprendiz de mago. Mas existe muito medo, pois muitos não se encaixam no perfil ou não possuem a qualidade necessária para ser um aprendiz de mago. E isso acontece todos os anos. Porém o inevitável acontece e Pug é escolhido por Kulgan, um respeitado mago do reino. Kulgan apenas escolheu Pug porque sentia algo dentro dele que se parecia muito com um dom extraordinário para a magia. 


“Sempre que tento fazer um dos feitiços simples que Kulgan me ensinou, como mover um objeto ou levitar, essas coisas na minha cabeça me desconcentram e perco o controle. Não consigo sequer dominar o mais simples dos feitiços.”

Depois de algumas aulas, ele não consegue dominar nenhum feitiço. E isso é muito estranho, afinal Kulgan tem certeza de que ele tem um talento incrível. Mas aí ele salva a Princesa Carline dos Trolls e torna-se parte da corte como escudeiro e passa a ter terras.


“O cavalo avançava devagar pelas falésias junto ao mar. A brisa cálida trazia o aroma das flores e, a leste, as árvores da floresta balançavam lentamente. O sol de verão provocava um reflexo quente sobre o oceano. Acima das ondas, gaivotas podiam ser vistas pairando no ar, e depois mergulhando na água em busca de alimento. Lá no alto, vagavam grandes nuvens brancas.”

E num dia tempestuoso, um navio aparece em Crydee e passa a conspirar uma guerra, com criaturas desconhecidas e seres muito poderosos. Então Kulgan, Tomas e Pug vão em busca de aliados para unir forças em prol desta guerra. 


“— Não creio, Pug. Tenho alguns conhecimentos destas coisas, e desde que se tornou aprendiz de Kulgan sinto o poder crescendo dentro de você. Talvez você o alcance tardiamente, como já aconteceu com outros, mas estou convencido de que encontrará o caminho certo.”


Parece uma história boa, não é? E é uma história incrível, mas não foi bem escrita. Muitas vezes parei de ler o livro e decidi desistir, abandonar. Mas não consigo abandonar um livro até descobrir o que acontece com todos os personagens no final. E prossegui com a leitura. A diagramação/capa/revisão do livro foi muito bem feita, a Editora Saída de Emergência Brasil está de parabéns pela ótima edição do livro. E o mapa que vem junto com ele. Tão lindo!


Como eu disse, a escrita é muito boa, mas deixa a desejar em inúmeros pontos. Depois da página 130 me senti um leitor perdido. Por mais que prestasse atenção no enredo e nas páginas que se seguiam, não consegui. Eu tinha uma expectativa muito grande com o livro e fiquei com os olhos bem abertos depois da resenha da Nanie Dias sobre o mesmo. Pensava que ia ter a mesma sensação que tive ao ler Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos, de Roberta Spindler: o livro tem 618 páginas, li 432 num só dia. Um livro nacional com 200 páginas a mais e fantasia de verdade deixou a sensação que Mago: Aprendiz não deixou. 

O que esperar de Mago: Mestre? Vou ler sem muitas expectativas, com um café bem forte... Sabendo que terei a mesma sensação. Afinal, alguns não sabem que Aprendiz/Mestre eram um livro só, e com o tempo Feist separou os dois livros para ficar mais comercial. E quer saber? Eu super indico a leitura, você não vai perder o seu tempo, pelo contrário, vai aprimorar seu senso crítico em relação à Literatura Fantástica. Até porque... Mago: Aprendiz não me convenceu de que é “a obra-prima da fantasia épica”, mas pode convencer você!


“Tomas chegou a uma pequena elevação de onde era possível vigiar o lado, encoberto por faias em crescimento, e afastou alguns arbustos para que pudessem ficar de tocaia.”



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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Olá, Vitor!

    Há algum tempo não visito o bloguinho... está tão lindo! Obrigada por cuidar tão bem dele!

    Quanto à resenha, bem...
    Como fã de Tolkien e C.S. Lewis, adoro histórias com mapas, haha. Acho que dão um senso de realidade muito forte!
    Não estou no meu momento "fantasia", mas acho que daria uma chance ao livro sem nenhum problema! Lógico que leria com menos expectativa, mas leria! rs.

    Grande abraço,

    Ana Carolina Nonato.

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  2. Vítor, esse livro realmente não conseguiu me conquistar, infelizmente...
    Sou super fã de fantasia, mas no caso desse livro faltou muita coisa - no final das contas, achei uma história chata, enrolada, prolongada sem motivos... enfim, não curti mesmo hahahahah E ainda não estou pronta para o segundo livro - quem sabe algum dia!


    Beijos,
    Nanie :)

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