RESENHA: Enfeitiçadas - As Crônicas das Irmãs Bruxas - Livro 1 - Jessica Spotswood




Autor: Jessica Spotswood
Selo: Arqueiro
Páginas: 272
ISBN: 9788580412307


Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.


Enfeitiçadas é o primeiro volume da Trilogia As Crônicas das Irmãs Bruxas, da autora Jessica Spotswood. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a protagonista Cate Cahill. Narrado em primeira pessoa, a adolescente tem uma decisão muito difícil a tomar, e o enredo ronda esta incrível decisão, que pode mudar toda a sua história.

Com uma capa à altura da história e uma diagramação encantadora, o livro chama a atenção do leitor bem de longe, podem apostar nisso. Não só o trabalho gráfico é bonito, mas tudo relacionado a história deixa o leitor impressionado em cada página, cada linha da narrativa belíssima de Jessica.

Como eu disse, o que me chamou a atenção de cara foi a protagonista Cate, irmã mais velha. No leito de morte de sua mãe, Cate prometeu cuidar com todas as suas forças de suas irmãs mais novas, Tess e Maura. As três irmãs são bruxas, algo que há muitas gerações não acontecia. Segundo a profecia, antes da chegada do século XX, um trio de irmãs chegará à idade adulta, todas bruxas. E uma delas terá o dom da magia mental. A magia mental é a mais poderosa de todas as magias. Pode trazer o poder de mudar o rumo da história, trazendo o poder das bruxas, ou um segundo terror – piorando toda a situação.


“Olho para os retratos em cima da lareira. Há um do Pai com os pais dele quando era pequeno, com um cachorrinho adormecido a seus pés. Ao lado, há um quadro de nós cinco: o Pai, a Mãe, Maura, Tess e eu.”


Aos 17 anos, Cate precisa anunciar sua decisão. Juntar-se a Irmandade, ou casar-se com um homem. Caso ela queira casar-se, terá que anunciar seu noivado com um homem importante três meses antes de completar dezessete anos. E isso tudo é muito tenso, afinal, ela está sendo obrigada a casar-se com outro homem ou a cuidar de crianças na Irmandade, que é praticamente um convento super estranho para a época. O machismo está presente em toda a história, ou seja, as mulheres são inferiores.

Há algum tempo, critiquei um livro de um autor brasileiro, onde o mesmo acabou por destruir o Brasil na história. Isso me incomodou muito. Acabei relacionado a história policial do brasileiro a este livro, que acabou perdendo parte do seu encanto por conta deste fato. Mas isso não influenciou na leitura, só depois de terminar o livro eu parei e pensei: poxa, as mulheres são tão inferiores assim na história? Porém, no universo criado por Spotswood, é a realidade de Cate, Tess e Maura, onde eu não teria o direito de questionar este universo.

O universo bem construído mostrou a criatividade de Jessica. Não são somente bruxinhas com um pacto com o demônio, isso tudo é muito clichê. Aqui, Jessica nos mostra um trio de irmãs bruxas, capaz de fazer tudo para proteger a família. E isso me agradou bastante.


“Maura sempre adorou os contos de fadas e os romances que eram os preferidos da Mãe, mas gosto mais das aventuras da biblioteca do Pai. Eu costumava implorar para que ele as lesse para mim – quanto mais cheios de sangue, melhor. Histórias de reis maldosos, trapaceiros, piratas, naufrágios...”


Sempre gostei de livros, onde a narradora é uma adolescente, e dependendo do gênio da personagem, isso é bem apaixonante. Por mais que Cate seja uma garota competente, bonita, perspicaz e responsável, ela demonstra isso em pouquíssimos momentos do livro, o que pode não ter agradado a todo mundo. 

Cate tenta proteger as irmãs da melhor forma. E a melhor forma aos seus olhos, é deixando a magia de lado e tentar ser uma família normal. O Pai não sabe que a mãe delas era uma bruxa, imagine se soubesse que as três filhas são bruxas e que podem fazer parte de uma profecia antiga?

“— Você... Cate. O que está dizendo?
Meu estômago vem parar na boca.
Ele não devia estar aqui. Não devia descobrir assim.
O momento se estende entre nós, interminável.
Não posso mais mentir para ele.
— Eu sou uma bruxa.”


É uma história de tirar o fôlego, Cate terá pretendentes, mas somente com o Jardineiro ela sentirá aquela ânsia, que no livro ela acaba percebendo que está apaixonada quando não consegue controlar sua magia. Seria bem legal se no nosso universo as coisas fossem assim, uma pena que a realidade seja tão diferente. 

Já estou ansioso pelo segundo volume da história, que já tem uma capa linda em divulgação pela rede e na contracapa do livro. Enfeitiçadas é o começo de uma trilogia que promete abalar a literatura. Particularmente, eu gostei muito da história. Não é um livro que marcou a minha vida, mas é uma daquelas leituras legais, divertidas e intensas que faz a gente lembrar do livro quando pensa em magia.

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