Carta ao Leitor: Os Interesses Criados/Rosas de Outono - Jacinto Benavente (#1)



Madri, 15 de Janeiro de 190x.

Caro leitor,

Como vai? Torço para que esteja tudo bem em sua vida, porque a minha está um tanto quanto agitada... Pois é, viajei novamente, desta vez em companhia de Jacinto Benavente, autor do premiado “Os Interesses Criados/Rosas de Outono”, e decidi compartilhar esta incrível experiência com você.
Entrei em contato com este mundo (vulgo livro) na biblioteca municipal de minha cidade. Faz parte da coleção “Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura”, ou seja, um gigante! Decidi ler sem nem ao menos ver a sinopse, uma única motivação em minha cabeça: “o que será que possui de tão incrível a ponto de merecer o prêmio de 1922?”
Pois bem, embarquei nesta viagem em, depois eu viria a saber, um cruzeiro (cada tipo de embarcação representa a qualidade de escrita do autor, leia o rodapé para mais informações). Nossa primeira parada foi o país imaginário de “Os Interesses Criados”, primeira peça do livro.
Conheci Crispim e Leandro, dois larápios que viviam a enganar todos por onde passavam. Sendo o primeiro o mais esperto, finge ser criado do grande nobre Leandro e, com sua vivacidade, tece uma trama que liga todas as personagens, criando interesses (eis o título) para que ambos não sejam presos e condenados pelas faltas passadas e mais: para que Leandro case-se com a filha do Sr. Polichinelo, senhor rico, a qual ama profundamente. É uma história muitíssimo cômica, em nada perdendo para grandes nomes como Shakespeare ou Gil Vicente.
Terminada esta viagem, rumamos para Madri, Espanha, onde se passa a peça “Rosas de Outono”. Conheci Gonçalo, um homem rico que vive várias aventuras amorosas, Isabel, sua esposa resignada, Pepe, o marido da filha de Gonçalo que parece seguir os mesmos passos do sogro, e Maria Antônia, que, ao contrário da madrasta, não aceita ser humilhada. A trama discute as diferenças entre o amor de uma esposa e o amor de uma mulher fora do relacionamento e como deve se portar o casal perante estes percalços. Como uma mulher da atualidade, é claro que não concordei com a ideia que o autor quis passar, mas devemos nos lembrar que a época (início do século XX) ainda era bem sexista em relação às mulheres.
Este livro é muito, muito bom, ambas as peças têm seu propósito bem definido e a escrita de Benavente (palmas para a tradução) é tocante. Não me admira, portanto, que seja um aclamado vencedor do Prêmio Nobel.
Querido leitor, eis o fim desta viagem. Se ler este livro, não deixe de me contar sua experiência! Ficarei satisfeitíssima em conhecê-la.

Até a próxima aventura,

Ana Carolina Nonato.

PS: Embarcações:
- Canoa: Escrita fraca;
- Barco: Escrita razoável.
- Cruzeiro: Escrita excelente.

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