RESENHA: A Casa das Orquídeas - Lucinda Riley

A Casa das Orquídeas
Autora: Lucinda Riley
ISBN:  9788563219961
Páginas:560
Editora: Editora Novo Conceito
Ano: 2012 (lançamento)
Sinopse:  Quando criança, a pianista Júlia Forrester passava seu tempo na estufa da propriedade de Wharton Park, onde flores exóticas cultivadas pelo seu avô nasciam e morriam com as estações. Agora, recuperando-se de uma tragédia na família, ela busca mais uma vez o conforto de Wharton Park, recém-herdada por Kit Crawford, um homem carismático que também tem uma história triste. No entanto, quando um antigo diário é encontrado durante uma reforma, os dois procuram a avó de Júlia para descobrirem a verdade sobre o romance que destruiu o futuro de Wharton Park... E, assim, Júlia é levada de volta no tempo, para o mundo de Olívia e Harry Crawford, um jovem casal separado cruelmente pela Segunda Guerra Mundial, cujo frágil casamento estava destinado a afetar a felicidade de muitas gerações, inclusive da de Júlia.
Enredo
Uma propriedade parada no tempo e seu herdeiro.
Uma pianista renomada e sua tragédia pessoal.
Uma história de amor que os une.

Em A Casa das Orquídeas, a personagem principal é Júlia, uma pianista conceituadíssima. Ao se deparar com um lastimável acontecimento envolvendo duas pessoas muito queridas, a moça decide se enclausar, se distanciar do mundo, vivendo apenas de escuridão e solidão. Os poucos momentos em que passa fora de um chalé úmido e afastado da civilização são proporcionados por sua irmã, que insiste em trazê-la de volta à realidade, o que Júlia não está pronta para fazer neste momento.
A única coisa em que consegue pensar com carinho é Wharton Park, propriedade da família para a qual sua própria trabalhava. A pequena pianista cresceu em torno daquelas terras e as amava como se fossem sua própria casa, embora tenha entrado no casarão apenas uma vez.
Kit Crawford era uma lembrança remota para Júlia... O garoto que a ouvira tocar na única vez em que esteve lá dentro. Os dois tornam a se encontrar durante um grande leilão que está acontecendo em Wharton Park. A casa está caindo aos pedaços e cheia de dívidas. Kit, o único herdeiro, não tem condições de custear as despesas. Além disso, a propriedade não lhe traz lembranças melhores que a da velha tia rabugenta que lá vivia.
A partir deste pequeno contato, muitos elementos de suas histórias, incluindo fatos anteriores ao nascimento dos dois, vêm à tona. Um diário, que parecia inofensivo, promete mudar-lhes a concepção de mundo, embora eles mesmos já estejam mudando as suas próprias.
A descrição espacial neste livro tem uma ênfase bastante notória, já que se passa em muitos lugares desde a Europa até o Oriente. Em muitos momentos é bastante charmosa, pois leva o leitor a lugares desconhecidos com uma precisão ímpar; todavia, em outros a autora acabou por se descuidar e exagerou na dose de descrições, tornando a leitura bastante arrastada nestes trechos.
O tempo é bem definido, já que o enredo possui duas partes temporais: o presente (de Júlia e Kit) e o passado (de Olívia e Harry). Em alguns momentos, esta concepção ficou pouco palpável por falta de adequação e descrições adequadas aos cenários de época. Por exemplo, os tempos passados mesclam costumes tradicionais com invenções e inovações em outros costumes. Todavia, sem um embasamento melhor, tudo aparenta estar um tanto bagunçado. A sensação é bem próxima à que o leitor sentiria se lesse um livro de Jane Austen em que as meninas dirigiriam carros.
As personagens são bastante complexas, embora não tanto quanto a das quatro personagens principais. O modo como pensam, como se relacionam entre si, tudo está perfeitamente incluso na narração onisciente em 3ª pessoa do singular.
A criatividade: não são novos os romances que mesclam histórias de amor em meio a guerras, mas alguns outros fatores (como as flores, por exemplo, que têm um papel importante) acabam diferenciando um pouco este enredo dos demais.
O andamento é bastante lento. Além de muitas descrições (que não são de todo ruins, como acima explicitado), a autora faz com que o leitor saiba vários pormenores históricos e sobre as próprias personagens, tornando este enredo mais vagaroso que o normal.
Quanto ao enredo, uma frase o explicita bem: muitas informações em um mesmo lugar. Nada do que acontece é impossível, mas há uma sucessão de fatores "fantásticos" que acabam por torná-lo perfeito demais. Exemplifica-se o caso da tragédia envolvendo os dois entes queridos de Júlia (não será descrito aqui por ser spoiler). É possível que aquilo aconteça, mas bastante improvável se adicionarem-se os outros acontecimentos.

Estrutura "Artística"
A capa e a contracapa se combinam. Enquanto a parte da frente representa o presente, a parte de trás representa o passado. Dualidade pertinente ao enredo.
A diagramação é boa e as letras são de um tamanho razoável, tornam a leitura adequada.
A sinopse serve bem ao seu propósito: informa o leitor de que se trata o livro e ainda consegue colocar um gancho ao final.
Alguns aspectos não foram bem planejados, de modo que se excederam durante a história.

Estrutura Física (Materiais)
As páginas são de qualidade e amareladas, não tornam a leitura mais cansativa.
O material de capa tem boa resistência, sendo pouco suscetível a vincos e amassados.

Análise
Enredo (x2): 2,08
 • Espaço (x2): 2 (regular);
 • Tempo (x2): 2 (regular);
 • Personagens (x2): 3 (boas);
 • Criatividade (x1): 3 (boa);
• Andamento do enredo (x2): 2 (regular);
• Início, meio e fim (x3): 2 (regular);

Estrutura Artística (x1): 3,67
 • Capa (x1): 4 (muito boa);
 • Diagramação (x1): 5 (ótima);
 • Fontes (x2): 5 (ótimas);
 • Sinopse (x2): 4 (muito boa);
• Enredo (x3): 2 (regular);

Estrutura Artística (x1): 5
• Capa (x1): 5 (ótima);
• Páginas (x2): 5 (ótima);

Nota final: [3*(2,08) + (3,67)*1 + (5)*1 ]/5= 2,98



Gostei da obra?
Para dizer a verdade, não gostei. Demorei demais para ler e não foi por falta de tempo. Simplesmente patinei de forma absurda. Se fosse só porque eu não gosto muito de histórias perfeitinhas, vá lá, mas quando me comprometo a ler um livro me dispo de todos os meus gostos para analisar da forma mais crítica possível. Uma decepção.


A Autora
Lucinda Riley nasceu na Irlanda e durante sua infância viajou ao exterior, especialmente para o Extremo Oriente, para visitar seu pai. Mudando-se para Londres, tornou-se atriz e trabalhou em teatro, cinema e televisão. Aos 24 anos, escreveu seu primeiro romance, baseado em suas experiências com dramaturgia. Em seguida, escreveu sete romances com o pseudônimo "Lucinda Edmonds", que foram traduzidos para 14 idiomas. A autora atualmente vive entre Estados Unidos e França, com o marido e quatro filhos.


Agradeço à Editora Novo Conceito pelo exemplar.

ATENÇÃO: Este tipo de resenha é um teste. As próximas poderão ser tanto neste formato quanto no anterior. Qualquer dúvida, mande um e-mail.
Declaro que as imagens usadas acima não são de minha autoria, respeitando os direitos autorais dos verdadeiros criadores.



Sobre a Autora:
ana c. nonato Ana Carolina Nonato cursa Ciência da Computação na Universidade de São Paulo (USP), mais especificamente no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) em São Carlos. Leitora assídua desde os 3 anos de idade, os livros são seus maiores amores na vida juntamente com o Cinema (antigo) e o bom e velho rock 'n' roll.


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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Ganhei esse livro em um sorteio, mas ainda não o li. Não sou muito fã do gênero, e confesso que por se tratar de uma história como essa, o tamanho dele me assustou um pouco. Rsrsrs
    Vou lê-lo um dia, só não sei quando.


    @_Dom_Dom

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  2. Olá, Nardonio! Eu te entendo completamente. Quando vi o tamanho, achei que seria bem mais elaborado por se passar em meio à guerra... Eu me decepcionei nesse quesito, mas você terá de ler para saber. :D

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  3. Eu achei ele bem complexo com essas descrições excessivas.
    Gosto de detalhes, quando eles se encaixam perfeitamente na história.
    Talvez eu o leia :}
    Sua resenha está muito boa!
    ^^

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  4. Olá, Francielle! Então, eu sou chatinha mesmo, rs. Eu começo a avaliar, antes de tudo, o que pode estar fazendo a leitura patinar. Sem dúvida, no caso deste livro, o espaço é um dos causadores. Descrições mais detalhadas são interessantes neste trabalho, mas as exageradas estragam, mesmo, a leitura. Claro, este é o meu modo de ver. Gostei que você também tenha o seu!


    Grande abraço!

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