RESENHA: Memórias de Um Vendedor de Mulheres - Giorgio Faletti

Memórias de um vendedor de mulheres
Autor: Giorgio Faletti
ISBN:  978-85-8057-171-4
Páginas: 288
Editora: Intrínseca
Ano: 2012 (lançamento no Brasil)
Sinopse:  1978. Enquanto a Itália vive os dramáticos dias do sequestro do seu ex-primeiro-ministro Aldo Moro, Milão, esgotada pelos confrontos políticos e ameaçada pela criminalidade, prepara-se para se entregar aos prazeres excessivos dos anos 1980. Para a rica sociedade milanesa, que passa os verões em Santa Margherita e Paraggi, as diversões se tornam cada vez mais extremas, em um clima de fim de império. É nesse ambiente que são conduzidos os negócios de um homem enigmático e fascinante, vítima de uma mutilação causada por sua insolência. Todos o conhecem como Bravo. Ele trabalha com mulheres. Vendendo-as. Sua existência é uma longa noite em claro partilhada com desesperados. O único ser humano com quem parece ter uma relação normal é Lúcio, seu vizinho cego. Em comum, eles têm a paixão pelos criptogramas. O surgimento repentino de uma garota, Carla, torna a despertar em Bravo sensações que ele acreditava adormecidas para sempre. Na verdade, este é o início de um pesadelo que o transformará em um homem procurado pela polícia, pelo serviço secreto, pelo crime organizado e pelos militantes das Brigadas Vermelhas. Para se salvar, ele poderá contar apenas consigo mesmo. O mundo real exige sua presença e o põe diante da violência do seu tempo. Trata-se de algo tão sinistro que faz seus tráficos torpes parecerem puros como água cristalina.

Enredo
"Eu me chamo Bravo e não tenho pau." Esta é a primeira frase do livro. Bravo, o protagonista, instiga a imaginação do leitor ao ser um ponto fora da curva - ele não fez mudança de sexo, tampouco é um eunuco. Como ele mesmo diz, não nasceu assim. Qual seria a razão por ter sido privado de seu órgão genital?
Nas primeiras páginas, o leitor confirma o ofício do protagonista: vendedor de mulheres, um cafetão.

"Tudo começou quando entendi que havia mulheres dispostas a vender o próprio corpo para conseguir dinheiro e percebi que havia homens dispostos a gastar o próprio dinheiro para ter aqueles corpos.
É necessário avidez, rancor ou cinismo para ficar no meio dessa troca.
Eu tinha todos os três. "
O narrador é o próprio Bravo, colocando em cada descrição, cada comentário seu ponto de vista amargo e rancoroso a ponto de fazer o leitor se questionar se o fato de ter sido privado de sua masculinidade é o que o deixou desta forma ou se havia algo muito mais profundo em sua personalidade que ele não mostrava para ninguém.
A história se passa em e aos arredores de Milão, mas parcamente nos conhecidos cartões postais ou nos locais da vida cotidiana das pessoas "de bem". Bravo é um fora da lei; portanto, seu "habitat natural" são as sombras da cidade, locais frequentados desde trobadinhas até os complexos esquemas das máfias milanesas. São subúrbios, locais afastados, vivos à noite com sua organização própria. Bravo é quem oferece a visão destes espaços em que as cenas ocorrem e, graças ao seu cinismo e frieza, esta visão é ainda mais real.
O ano é 1978. Política abalada por conta do sequestro do ex-primeiro ministro, os anos 80 batendo à porta, o submundo das drogas e da prostituição faturando como nunca. Todos os elementos, tanto de vestimentas, falas e tecnologia de época, são condizentes com o período determinado.
Por ser narrado em primeira pessoa, Bravo é a personagem com que o leitor tem mais contato, porém este é muito fechado, ensimesmado. É uma personagem complexa, mas não há como medir sua profundidade total até que se chegue ao último ponto final. A cada capítulo, cada linha, Bravo surpreende revelando um pouco mais de si mesmo e, pelos acontecimentos, de seus amigos. Deve-se desconfiar dos amigos e confiar nos inimigos?
Há outras personagens tão complexas quanto Bravo, mas este não oferece uma visão completa destas.
O andamento é impressionante. O começo é nebuloso, o desenho da história está começando em seus primeiros traços. A partir de um certo ponto, a velocidade com que a leitura flui é aumentada gradativamente até chegar ao ponto de ser impossível não devorar página por página. O final, então, é inimaginável, o leitor jamais conseguirá ter ideia das proporções que todos os acontecimentos tomarão.
É um romance livre de censuras - possui sexo, drogas, prostituição, imagens chocantes do submundo com o qual o leitor não está acostumado a lidar. Portanto, só leia se estiver realmente preparado para lidar com os acontecimentos explícitos e as reviravoltas que este enredo dá.

Estrutura "Artística"
A imagem das pernas de uma mulher é condizente com o tema primário. A borboleta traduz uma leveza que é contrária ao que o título e a escuridão da capa pretendem demonstrar. Um jogo de imagens muito bem elaborado.
A diagramação é muito boa, não há parágrafos fora do lugar. A fonte é um pouco reduzida por conta do tamanho do livro, mas poderia ser um tanto maior para tornar a leitura melhor.
A sinopse é falha. Simplesmente mostra trechos que não deveria, que fazem parte de todo o mistério que o leitor vai acompanhar.
O enredo traz reviravoltas tão surpreendentes que fica óbvio ter sido completamente planejado, reescrito, construído.

Estrutura Física (Materiais)
Este quesito não será analisado, pois o exemplar recebido não era o de venda.

Análise
Enredo (x2): 4,67
 • Espaço (x2): 5 (muito bom);
 • Tempo (x2): 5 (ótimo);
 • Personagens (x2): 4 (muito boas);
 • Criatividade (x1): 3 (boa);
• Andamento do enredo (x2): 5 (muito bom);
• Início, meio e fim (x3): 5 (muito bom);

Estrutura Artística (x1): 3,67
 • Capa (x1): 5 (ótima);
 • Diagramação (x1): 5 (ótima);
 • Fontes (x2): 3 (boas);
 • Sinopse (x2): 1 (ruim);
• Enredo (x3): 5 (ótimo);



Nota final: [2*(4,67) + (3,67)*1]/3= 4,34




Gostei da obra?
Gosto de livros mais profundos, de enredos mais elaborados... Este livro, para mim, foi uma alegria. Eu creio que nunca me surpreendi tanto com uma história quanto esta! A nota só caiu por alguns aspectos artísticos, em especial a sinopse. Quando li a sinopse (depois de ler o livro, claro), quase caí para trás! Ela entrega muito do enredo, retira um pouco da sensação absoluta que você sentiria ao ler. Portanto, se vocês quiserem uma experiência melhor de leitura, tentem evitar ao máximo esta sinopse. De resto, gostei muito! Ah, que fique claro que todas as classificações e observações feitas são referentes ao exemplar que recebi. É bem possível que muitos dos erros apontados por mim tenham sido solucionados antes da publicação efetiva. Parabéns pela escolha, Intrínseca!

O Autor
Nascido em Asti, no Piemonte, em 1950, o italiano Giorgio Faletti, com formação em direito, tornou-se cantor, compositor e comediante de televisão. Eu mato, lançado em 2002, permaneceu mais de um ano nas listas dos mais vendidos da Itália e foi traduzido para 25 idiomas.
Giorgio Faletti publicou Nienti di vero tranne gli occhi, Fuori da un evidente destino, Pochi inutili nascondigli e Io sono Dio - todos, best-sellers. Começou a compor e a cantar no Festival de Música  de San Remo, e atuou em comédias como Notte Prima degli esami.  Entusiasmado torcedor do Juventus, reside na ilha de Elba.

Agradeço à Editora Intrínseca pelo exemplar.


ATENÇÃO: Este tipo de resenha é um teste. As próximas poderão ser tanto neste formato quanto no anterior. Qualquer dúvida, mande um e-mail.
Declaro que as imagens usadas acima não são de minha autoria, respeitando os direitos autorais dos verdadeiros criadores.


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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. É a primeira resenha que eu leio desse livro. Gostei bastante!
    Agora eu fiquei curiosa para ser surpreendida também. ^^

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  2. Parece ser interessante, mas normalmente não gosto muito de livros sem censura, posso ser tachada de antiquada, mas é o jeito que eu sou, e não pretendo nem consigo mudar.
    Mas gostei da resenha.
    Beijo 

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  3. Olá, Ana! 

    Quanto tempo! Como sempre, adorei a resenha! :) 


    Apesar de ter ficado curiosa, não é o tipo de livro que seria recomendável eu ler.rsrs... Ainda estou pensando se vou encarar essa leitura um dia ou não.rsrs... 


    Bjs!

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