RESENHA: Lázarus - Georgette Silen

Lázarus
Autor: Georgette Silen
ISBN:  978-85-7679-348-9
Páginas: 376
Editora: Novo Século
Ano: 2010 (lançamento)
Sinopse:  Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida de Laura Vargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra,a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue. Orelha do livro: “Olhei meu reflexo na janela do ônibus, para a estranha que me observava.O verdadeiro nome que eles procuram nunca pisou em solo brasileiro nos últimos meses, nem mesmo voltou de Bristol ou esteve por lá. Estava perdido talvez para sempre. Em meio aos pensamentos não percebi a pequena senhora ao meu lado cair no sono, com seu rosário nas mãos, a Bíblia ainda aberta e a luz interna acesa. Num gesto de déjavú, retirei lentamente a Bíblia de suas mãos para fechá-la e apagar a luz para que ela pudesse descansar. Mas assim que toquei no livro, meus olhos caíram para a página que ela estava lendo. Era o evangelho de João 11:12. Dito isso exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus então lhes disse: 'Desamarrai-o e deixai-o ir'. Aressurreição de Lázaro. Um forte estremecimento me tomou. Olhei para a mulher amamentando seu bebê tranquilamente. Sim, o nome que eles procuram não será encontrado. Mas não é meu verdadeiro nome o que importa. Para eles só uma coisa interessa: a cura.”

Enredo
"38 Jesus, pois, comovendo-se outra vez, profundamente, foi ao sepulcro; era uma gruta, e tinha uma pedra posta sobre ela.
39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse- lhe: Senhor, já cheira mal, porque está morto há quase quatro dias.
40 Respondeu-lhe Jesus: Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?
41 Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, graças te dou, porque me ouviste.
42 Eu sabia que sempre me ouves; mas por causa da multidão que está em redor é que assim falei, para que eles creiam que tu me enviaste.
43 E, tendo dito isso, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
44 Saiu o que estivera morto, ligados os pés e as mãos com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
45 Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele. (http://www.bibliaon.com/joao_11/)"

Um dos mais conceituados museus do mundo, uma museóloga, vampiros e um elemento "divino".
O que teriam em comum entre si?
Do mesmo modo que Dan Brown combina religião a arte, Georgette Silen combina esta com outros elementos míticos.
Acima está o trecho bíblico em que Lázaro levanta do sepulcro. Não é surpresa que o nome seja baseado nisto, mas o Lázarus em questão é muito mais aprofundado que uma simples analogia entre obras literárias.
O espaço é descrito de forma a colocar o leitor na cena ao mesmo tempo em que se economiza em detalhamentos. Isto acontece em boa parte do enredo, em que é caracterizado de forma mais extensiva em caso de grande relevância. Todavia, há alguns pontos em que a descrição se estende, fazendo com que o andamento se torne mais cansativo, mais lento em sua totalidade. Ademais, o andamento do enredo é médio, alternando-se entre estas passagens mais lentas e outras com maior tensão.
As personagens são complexas e fortes, já que são o enfoque da narrativa. Como é narrado em 1ª pessoa, há a tentativa de envolver o leitor com as mesmas, de colocá-lo em uma perspectiva mais atraente.
A criatividade envolvida neste enredo é média. Há o lugar-comum vampiresco atual (em especial no início da história), mas também há elementos que o diferenciam dos demais (analogia bíblica, o próprio Lázarus, etc).
Há algumas partes confusas no enredo, que podem deixar o leitor um pouco chateado ao tentar decifrá-las (ponto negativo). Alguns pontos positivos são: elementos que o diferenciam do clichê (embora a base seja a mesma), "brasilidade" na história (mesmo com o enfoque estrangeiro), o aprofundamento na história dos vampiros (conferindo veracidade) e as personagens (não possuem vidas insossas com reviravoltas ou perfeitas demais).


Estrutura "Artística"
A imagem de capa totalmente vermelha e negra denota sangue, perigo (bastante pertinente ao enredo), mas não é algo totalmente novo.
A diagramação é muito boa, não há parágrafos fora do lugar. As fontes são boas.
A sinopse é falha em alguns aspectos. Simplesmente mostra trechos que não deveria, que fazem parte de todo o mistério que o leitor vai acompanhar.
O enredo foi planejado e organizado.

Estrutura Física (Materiais)
Material de páginas e capa é muito resistente, pouco suscetível a danos maiores.

Análise
Enredo (x2): 3,75
 • Espaço (x2): 3 (bom);
 • Tempo (x2): 5 (ótimo);
 • Personagens (x2): 4 (muito boas);
 • Criatividade (x1): 3 (boa);
• Andamento do enredo (x2): 3 (bom);
• Início, meio e fim (x3): 4 (muito bom);

Estrutura Artística (x1): 3,22
 • Capa (x1): 3 (boa);
 • Diagramação (x1): 5 (ótima);
 • Fontes (x2): 5 (ótimas);
 • Sinopse (x2): 1 (ruim);
• Enredo (x3): 3 (bom);


Estrutura Física (x1): 5
• Capa (x1): 5 (ótima);
• Páginas (x2): 5 (ótima);



Nota final: [2*(3,75) + (3,22)*1 + 5*1]/4= 3,93




Gostei da obra?
Serei sincera com vocês. Livros de vampiro, em especial os novos, me irritam profundamente. Os vampiros são criaturas lendárias, maléficas, cruéis e sem sentimentos. Quando tentam "traduzir" a história, colocar mais humanidade... Não gosto, confesso. Lázarus é, dos que eu li, o que menos tem estes elementos, mas... Tem. 1% ou 100%, não importa. Ainda há aquilo que me incomoda tanto. Portanto, apesar de prestigiar ao máximo a literatura nacional, este livro me é completamente indiferente. Não posso dizer que odiei, há elementos louváveis, mas também não gostei. É com muita tristeza que expresso esta opinião, já que era um dos livros do Selo Brasileiro em que eu colocava mais fé.

A Autora
Georgette Silen é escritora de ficção e fantasia, possui contos publicados nas antologias Dimensões.Br e Marcas na Parede da Andross Editora, organizou a antologia O Grimoire dos Vampiros pela Editora Literata, participa da Antologia Folhas de Espan¬tos, da Editora Don Munhoz e da antologia Metamorfose: Fúria dos Lobisomens e Poe 200 Anos da Editora All Print, Paradigmas 4, da Tarja Editorial, Sombrias Escrituras da Cidadela Editorial, é autora convidada da Coleção Extraneus, promovida pelo site Estronho e Esquésito, organizadora da Coletânea Histórias Fantásticas da Cidadela Editorial e lançará seu primeiro livro solo em 2010 pela editora Novo Século.

Agradeço ao Selo Brasileiro pela oportunidade!


ATENÇÃO: Este tipo de resenha é um teste. As próximas poderão ser tanto neste formato quanto no anterior. Qualquer dúvida, mande um e-mail.
Declaro que as imagens usadas acima não são de minha autoria, respeitando os direitos autorais dos verdadeiros criadores.


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COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. É uma questão de gosto, mas concordo, que muitos vampiros "atuais" estão deixando a desejar, humanizar para fazer com que pareçam mais romanticados, não é o que muitos leitores esperam de um livro sobre vampiros, afinal muitos de nós queremos aquele contexto de antes: Criaturas sanguinarias!

    Bjs

    www.daimaginacaoaescrita.com

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