Batalha Cinematográfica #1: Orgulho e Preconceito (1940 x 2005)

Novo quadro meu no blog Batalha Literária. Se quiserem visitá-lo, cliquem AQUI. Hei, lembrando que votos comentados por aqui também serão validados! PARTICIPEM!



Olá, queridos!

Estou de volta com um projeto novo aqui no batalha... Que tal uma batalha entre filmes? E que tal se estes filmes forem baseados na MESMA obra literária? Este é o propósito da primeira Batalha Cinematográfica. Conforme for avançando e tendo a opinião de vocês, vou mudando significativamente, ok?

Os filmes que escolhi são baseados em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. As versões foram filmadas em 1940 e 2005. Serão 3 votos para decidir o vencedor: a técnica (por mim), o gosto do público (vocês) e a avaliação da crítica (no filmow, que será divulgado no próximo Batalha, em que o vencedor duelará com a versão da BBC).

Orgulho e Preconceito - 1940
Diretor: Robert Z. Leonard


1º Critério: Fidelidade à história original

O diretor e os roteiristas (Jane Murfin e Aldous Huxley) transformaram o filme em uma comédia com muitas liberdades. O número de cenas que não existem no livro é muito grande - em torno de 15.

2º Critério: Elenco

Laurence Olivier como Darcy não foi uma escolha feliz, já que o mesmo havia feito Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes no ano anterior; seu "estilo" de atuação está mais próximo da personagem de Brontë, que se torna austero, em contrapartida a Darcy, que só é um pouco orgulhoso.
Greer Garson, que faz Elizabeth Bennet, faz um papel bom; todavia, sua "beleza" pode ser comparada à de Jane no mesmo filme, o que não chega a ser coerente com a história (Elizabeth não tem uma beleza que se nota em um primeiro momento).
Maureen O'Sullivan, Jane, é a escolha perfeita para o papel. Muito bonita, com ares de inocente.
Marsha Hunt é uma escolha infeliz para o papel de Mary Bennet. Como bem se vê no livro, a moça é "desprovida" de encantos, um pouco taciturna e muitas vezes incomodando em seu piano. Já no filme, é retratada como uma moça alegre, linda e exímia pianista.
Bruce Lester, atuando como Mr. Bingley, é uma escolha feliz. Um moço bonito, ingênuo como no livro.
Frieda Inescort faz um bom papel como Caroline Bingley: orgulhosa, bonita e extremamente fútil.
Edmund Gwenn é uma das piores escolhas do filme. Mr. Bennet aparece como um homem elegante e extremamente inteligente (como é), mas falta o caráter provinciano e ácido que é tão característico à personagem.
Mary Boland, como Mrs. Bennet, cumpre bem seu papel: ardilosa casamenteira.
Edward Ashley é uma escolha difícil de se classificar. Mr. Wickham, interpretado com ele, tem uma malícia, um jeito de ser que já alerta o espectador quanto a seu caráter. Isto é um aspecto negativo, mas a atuação é excelente.
Edna May Oliver, como Lady de Burgh, não é uma escolha boa definitivamente. A atriz não combina de nenhum modo com a personagem e sua atuação também não é digna da mesma.
Melville Cooper, como Mr. Collins, é uma das piores escolhas. Além de o homem não combinar em nada com sua personagem, as vestimentas que lhes deram e a atuação do mesmo conferem ao Collins deste filme um jeito muito diferente da personagem original.

3º Critério: Figurino
Um dos piores erros deste filme. O figurino foi reaproveitado de O Vento Levou, filme produzido no ano anterior, passado durante a Guerra de Secessão Americana (1861-1865), enquanto que Orgulho e Preconceito foi escrito em 1797. Ou seja: Incompatibilidade total!

4º Critério: Filmagens
Por ser um filme em preto e branco, é extremamente charmoso. As tomadas são muito boas e a sonoplastia, para a época, também é excelente.

Orgulho e Preconceito - 2005
Diretor: Joe Wright 




1º Critério: Fidelidade à história original

Há um número razoável de cenas que não acontecem no livro, como a declaração de Darcy na chuva. Percebe-se uma tentativa de idealizar o romance.

2º Critério: Elenco

Matthew MacFadyen é, sem dúvida, um dos melhores Mr. Darcy já feitos. O ator, em cena, tem porte e gravidade que são muitos semelhantes a Darcy. Um problema é o rosto abobalhado que ele faz perto de Lizzie, algo um tanto incomum no livro. Vale lembrar que ele fez Hareton (outra belíssima atuação, sem interferências negativas na de O&P), em O Morro dos Ventos Uivantes de 1998.
Keira Knightley também uma personagem que combina muito com o livro. Os olhos negros da atriz, o sorriso tão característico de Lizzie e sua beleza não tão aparente (vide cena em que chega à casa dos Bennets depois de uma caminhada) são características muito condizentes com a personagem. Todavia, a Lizzie que se apresenta no filme é idealizada. Mesmo cometendo o erro (que quem leu sabe qual é. Não vou colocar spoiler), não aparenta ser tão ingênua e preconceituosa como no livro.
Rosamund Pike, Jane, é uma escolha muito boa. Seu ar maduro e ao mesmo tempo inocente, e sua beleza jovial são coerentes com a personagem no livro.
Talulah Riley interpretando Mary Bennet é excelente. Sua atuação em combinação com suas falas e vestimentas constrói uma Mary muito próxima da descrita por Jane Austen.
Simon Woods, atuando como Mr. Bingley, é uma escolha das melhores escolhas do filme. É bonito e transborda inocência e sinceridade; mas poderia ser menos abobalhado (chega a parecer tonto, ao contrário do que o é Mr. Bingley do livro).
Kelly Reilly é uma das melhores convocações do filme. O seu jeito de interpretar Caroline, com aquele ar de afetada admiração, preocupação, sem esconder por completo seu deboche e futilidade é magnífico. Kelly consegue fazer com que você deteste a personagem - mais até que no livro!
Donald Sutherland tem as três características que o verdadeiro Mr. Bennet deveria ter: inteligência, acidez e provincianismo gritante.
Brenda Blethyn, como Mrs. Bennet, cumpre bem seu papel: ardilosa casamenteira. Os nervos dela parecem bem mais reais.
Rupert Friend é um ator que engana bem o espectador: suas feições e atuação no começo denotam caráter; mas no fim as mesmas denotam sua falta do mesmo.
Judi Dench, como Lady de Burgh, é uma escolha magnífica. O rosto austero da atriz, em conjunto com o cabelo extravagante, denotam a pessoa autoritária e até mesmo doente que Lady de Burgh é.
Tom Hollander é um excelente ator, mas não foi uma escolha feliz neste caso. Suas características corporais são pouco coerentes com a de Mr. Collins no livro; além disto, esta personagem é colocada como motivo de chacota durante quase todo o filme, de uma forma muito extravagante.

3º Critério: Figurino
Os figurinos são muito belos e coerentes com a história, em especial a diferença entre os provincianos (Elizabeth e as irmãs) em contraste com os da capital (Caroline, até mesmo Lady de Burgh).

4º Critério: Filmagens
É um filme com bons closes, mas as cores tiram um pouco do charme que um filme em preto e branco tem.

No Ringue...

                                                   1940 x 2005
1º Critério*:                                                 X              X
2º Critério**:                                              5/11         6/11   +                                 
3º Critério***:                                              X              OK!
4º Critério****:                                            OK!            X    
FINAL:                                                         1      x      2             

*: Nenhum dos dois manteve uma fidelidade razoável ao livro.
**: de 11 personagens totais, 1940 tem 5 boas e 2005 tem 6.
***: 2005 leva o ponto pela coerência com a vestimenta.
****: 1940 leva o ponto pelo charme do preto e branco.

No critério técnico, 2005 venceu!

Agora é a vez de vocês votarem. Computarei os votos e no próximo Batalha divulgo o vencedor e sua próxima competição, certo?




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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Na minha opinião o filme de 2005 ganha em todos os critérios, acho a fotografia e a trilha sonora lindíssimos e os atores perfeitos, tem sim algumas modificações em relação ao livro, mas não acho isso negativo. Já a versão de 1940 é um filme legal, mas as mudanças foram tão grandes que perdeu a essência do livro, eu gostei dele, mas nem dá pra comparar.

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  2. Oi, Ana Carolina! Cheguei aqui através do Skoob.

    O filme "Orgulho e Preconceito", está entre os meus favoritos
    (2005). Não assisti a versão de 1940.

    Tenho que parabenizá-la por suas avaliações. Você é muito organizada. Gostei muito da maneira que você faz as resenhas dos livros.

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  3. Também não assistir o de 1940,amo o livro "Orgulho e preconceito" é um dos melhores romances que li.Gostei muito da versão do filme de 2005...

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