RESENHA: Manhã, Tarde & Noite - Sidney Sheldon

Manhã, Tarde & Noite
Título Original: Morning, Noon and Night
Autor: Sidney Sheldon
Edição: 22ª
ISBN: 978-85-01-04446-4
Editora: Record
Ano (de publicação do original): 1995
Tradução: Pinheiro de Lemos
Palavra-chave: Romance Norte-Americano
Skoob


Sinopse: Descobrir o mistério da morte de Harry Stanford e quem tem direito à sua herança são os fios condutores deste novo romance de Sidney Sheldon. Rico e poderoso, com grande influência sobre diversos governos de todo o mundo, Harry Stanford é o patriarca de uma família em decadência. Logo após anunciar a intenção de modificar o testamento, ele morre em circunstâncias suspeitas. O mistério cresce quando, depois do funeral, a reunião de família é interrompida pela chegada de uma linda jovem que alega ser filha do empresário e reinvindica uma parte de sua herança.

Espaço
É dividido como "túneis" de trem. Os "túneis" principais são: Boston (o maior, com maior conteúdo), Kansas (médio) e Europa (menor). Dentro do "túnel" Boston, há Rose Hill (a propriedade da família Stanford) e o escritório de advocacia Renquist, Renquist e Fitzgerald.

Caracterização: o "túnel" menor, a Europa, é o início da trama. Sua caracterização é profunda porque está intimamente ligada às suspeitas da personagem que ali se encontra. Deste, acessa-se o "túnel" maior, Boston, e a caracterização fica esparsa, limita-se ao estritamente necessário para a narrativa. Quando há a alternância para o Kansas, a caracterização do ambiente se restringe à mera citação dos objetos.

Tempo
Por ser um romance com menos de 20 anos e que não se vale de aparatos tecnológicos muito recentes que possam denunciar uma data específica, pode-se adotar o tempo como atual.

Caracterização: só se torna importante nos flashbacks; no restante, é praticamente ignorado (exceto pela sutileza de cada ambiente). Mesmo o título e a divisão do livro são mera simbologia.

Personagens
O romance, neste aspecto, é bem semelhante aos outros policiais. As personagens principais não têm uma identidade clara no início, apenas um esboço. A diferença principal entre este romance e os demais é que o caráter dos envolvidos não é aprofundado apenas no enredo sequencial; os capítulos dispõem de momentos para cada personagem se aprofundar em seu passado, presente, angústias e conquistas. Assim, não há personagens principais definidas até o fim do romance.

Coerência entre espaço, tempo e personagens
A costura entre os três é perfeita: os flashbacks justificam as personagens, e os espaços levam aos flashbacks; o tempo permite que certos aparatos tecnológicos (comuns) existam no presente e que sejam utilizados na trama (embora de forma secundária), dentre outros sincronismos.

Enredo
É narrado em 3ª pessoa. Há nitidamente uma alternância quanto à ciência do narrador acerca da mente das personagens.
É dividido em 3 grandes blocos, intitulados respectivamente "Manhã", "Tarde' e "Noite", que por sua vez são subdivididos em 35 capítulos.
A narrativa é fria. É como a montagem de um quebra-cabeça cuja imagem que será formada já se conhece: não há clímax em descobrir o "assassino" e porquê (já que isto já é sabido até a metade do livro). A chave do livro é descobrir como tudo foi arquitetado, encaixar as peças do grande quebra-cabeça.

Conteúdo
Harry Stanford era um dos homens mais influentes e ricos do mundo. Estava em plena forma quando morre em uma circunstância perfeitamente plausível e insuspeita. A burocracia da liberação da herança, no entanto, traz à tona diversas complicações e incompatibilidades ao caso. Terá a morte de Harry Stanforf sido arquitetada?

Capa
É bonita, mas as letras garrafais tomando a cena incomodam, a tornam carregada demais.

Sinopse
É decepcionante. Ao mesmo tempo em que entrega demais ("Logo após anunciar a intenção de modificar o testamento, ele morre em circunstâncias suspeitas."), omite partes importantes que poderiam chamar o leitor à desvendar o caso( "Enquanto isso, o advogado nomeado como testamenteiro começa a investigar a morte de Stanford e a tentar descobrir quem tem direito à herança"). É fraca para a qualidade da obra.

Estrutura física
A parte gramatical foi totalmente respeitada na tradução. A letra e a diagramação do livro são bons. A capa e as páginas são macias e de fácil manuseio.

Gostou da obra?
Pela frieza do enredo, pude ler com bastante calma e entender os propósitos do autor. O que mais me surpreendeu foi o modo como cada ação, cada pensamento se encaixa perfeitamente nas personagens. E as circunstâncias são geniais! Daria um excelente livro de ação; neste estilo, porém, instiga mais e é por isso que eu gostei. É o crime praticamente perfeito!

Avaliação
- Enredo: 8
- Capa: 7
- Caracterização das personagens e entrosamento entre as mesmas: 10
- Caracterização do tempo e espaço e coerência entre os mesmos: 8
- Aspectos gramaticais: 10
- Sinopse: 7
- Estrutura física: 10

Nota: 8,5


Recomendações
A todos! É uma vertente diferente que todos deveriam experimentar.

O Autor
Sidney Sheldon foi um novelista e roteirista. Nascido Sidney Schechtel, de pai judeu alemão e mãe judia russa, iniciou sua carreira em Hollywood como revisor de roteiros em 1937 além de colaborar em inúmeros filmes de segunda linha. Preferiu trabalhar no cinema do que na literatura por não julgar-se capaz de escrever um livro. Entrou para o Army Air Cops durante a Segunda Guerra Mundial mas não chegou a servir por causa de uma hérnia de disco. Sheldon retornou à vida civil e começou a escrever musicais para a Broadway além de roteiros para a MGM e Paramount Pictures. Foi o criador da série televisiva Jeannie é um Gênio e Casal 20.





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COMENTÁRIOS

19 comentários:

  1. Pena que não há aquele, nossa ele é o assassino,é legal a surpresa da descoberta. Acho que na há muita tecnologia nos livros dele..

    A capa é bonita, mas é como vc disse, as letras quase ocupam toda ela..

    Pretendo ler outros livros do autor..

    ^^
    Beijos

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  2. Adorei a resenha dividida em tópicos; o livro nao me parece muito promissor vendo pelo meu ponto de vista, mas quem sabe eu leio qualquer dia...
    beijoos


    blogcabelosaovento.blogspot.com

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  3. Bom ,o livro parece ter uma história legal, mas não gosto muito do gênero por isso não me interessei muito.
    E como você disse, as letras incomodam um pouco, principalmente por serem muito grandes.

    funhousesa.blogspot.com

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  4. Ahh que saudaades do Sheldon...
    Na época de ensino médio eu era apaixonada pelos livros dele, a biblioteca da escola tinha grande parte dos exemplares. É uma pena que desde lá não tive mais acesso aos livros dele.

    Gostei bastante da sua resenha, é bem complexa, com várias análises detalhadas de todo o livro.
    O livro não sei se me agradaria, fiquei bem na dúvida, mas gostei da maioria dos livros do Sheldon que li, então acho que com este não seria tão diferente.

    Beijos,
    Lehh, Animus Book

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  5. Bom, eu já li 4 livros do SS. Admito que o estilo dele não é meu favorito, mas os livros dele sempre mexem com a gente. Eu lembro que ficava agoniada enquanto lia.. rsrsr
    Esse parece ser interessante. Gostei da resenha! Parece ser uma boa trama =D

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  6. Oi, Nunca li nada do sidney sheldon :/ ( me mata por isso ) mas teho muita vontade. parece ser muito bom, apesar de alguns defeito como vc mencionou.

    ( Retribuindo a sua visita no blog Entrando numa fria. Obrigado. )

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  7. Adoro os livros do Sheldon, mas realmente não consigo gostar da maioria das capas. Os títulos sempre são muito grandes e a fonte nada bonita...

    Esse ainda não li, mas gostei do esquema de resenha =D

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com

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  8. Olá Ana!


    Sidney Sheldon foi um escritor maravilhoso. Eu o amo! Amo suas histórias e ele é meu autor masculino preferido. Suas histórias são cruas, frias, mas com personagens fortes, imperfeitos... apenas humanos. Não existem santos em seus livros. Todos têm seus pecados. E seus livros tbm são muito reais. Como explicar? Ele falava de assuntos que são reais... Os estupros, pais que molestam filhos, traições, vinganças, jogos para ter mais poder, doenças mentais, assassinatos... Nos aproxima das suas personagens, nos faz amá-las, odiá-las, perdoá-las, torcer por elas por mais que algumas sejam bem cruéis. Sidney Sheldon mesmo depois de já ter deixado esse mundo, continua mexendo com nossas emoções através de suas histórias que serão eternas. Suas histórias sempre me fazem pensar muito nas coisas...rsrsrs... Nas pessoas, na vida e nas minhas atitudes. Suas personagens são intensas e me "abalam", mas ele já me conquistou. Pretendo ler todos os livros do meu querido Sidney.


    Ana, você é a única blogueira que divide as resenhas em etapas, tópicos e me faz gostar delas. Gosto muito do seu modo de resenhar um livro. Porém, apesar de ter amado a resenha, eu fiquei com algumas dúvidas. Você gostou do livro ao ponto de desejar ler outros livros do autor? E as personagens? O que elas te fizeram sentir?


    Bjs!

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  9. Olá, Effy!

    Olha, eu gosto bastante daquele suspense até o final sobre quem matou quem, mas... confesso que o estilo de Sheldon neste livro me intrigou e conquistou, viu? Apesar de se saber quem é o assassino, os motivos serão desenrolados até o final. É bom, viu? Lembra-me até o livro "A Morte do Cozinheiro"... Apesar da capa desengonçada, é bem interessante. Leia sim, viu?

    Obrigada pela visita e comentário,
    Ana.

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  10. Olá, Camila!

    Obrigada por visitar e comentar! A resenha dividida em tópicos, a meu ver, favorece a mim, a fim de evitar a subjetividade excessiva, e favorece o leitor, que pode procurar exatamente um ponto específico da análise. Leia sim, viu? Por pior que seja um livro, sempre vale a pena ler para ao menos não gostar, certo? Não julgue um livro pela capa, sinopse ou resenha.

    Ana.

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  11. Olá, Y.!

    Ah, eu entendo! Bom, quando não gostamos de algo, nem adianta forçar, né? Melhor deixar para ler em uma outra oportunidade. Que bom que concorda comigo quanto à capa!

    De qualquer modo, obrigada pela visita e pelo comentário.

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  12. Olá, Letícia!

    Nossa! Eu só conhecia o Sheldon de nome e de algumas pessoas que liam, mas sempre tive o pé atrás, sabe como é. Mas li este e adorei! Não sei se ele segue esta mesma linha com os outros livros, mas este enredo "frio" me instigou bastante, viu? Muito legal!
    Que bom que gostou da minha resenha! Ela ainda é bem informal, mas tenho a esperança de transformá-la em algo muito mais crítico. Quem sabe?
    Ah, eu acho que vai gostar sim. Tenho a leve impressão que, embora mude a forma, a base dos livros dele sempre é a mesma.

    Obrigada pela visita e comentário! :D

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  13. Olá, Nanda!

    É, meu favorito o SS não é MESMO. Conan Doyle disparado! rs. Mas esse estilo de narrativa fria me deixou curiosa para ler os outros, sabe? É bem legal algo do estilo. Neste eu não fiquei agoniada (creio que alguns aspectos do livro facilitaram), mas espero para ler os outros e ver, não é...
    Que bom que gostou! Leia sim. Como eu digo: por mais ruim que um livro possa ser, nunca o julgue pela capa. Sempre vale a pena ler para conhecer!

    Obrigada pela visita e comentário!

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  14. Olá, Helton!

    Não te matarei só porque eu também nunca tinha lido até agora! rs. Olha, eu recomendo a leitura. Sabe como é... para conhecer. Às vezes os pareceres técnicos que expus aqui não influenciem a sua leitura. Leve isto como um estímulo, sim? :D

    De nada! Eu que agradeço pela visita e o comentário.

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  15. Olá, Kel!

    Então você é uma leitora assídua do SS? Que legal! As capas dele me decepcionam MUUUITO. Acho que por isso nunca tive muita vontade de ler. Ledo engano! Este é um livro bem legal.
    Ah, que bom que gostou do esquema de resenha! Ainda há muito o que melhorar mas, por hora, estou satisfeita.

    Obrigada pela visita e comentário!

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  16. Sidney Sheldon é um dos meus autores preferidos. Amo o livro O reverso da medalha.
    Bjs, Gabi

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  17. Resenha maravilhosa, como sempre. Eu gostei bastante desse livro, mas, de longe, meu preferido dele é o Se não houver amanhã.
    Amo a gradação em que os personagens vão se desenvolvendo. E por isso que eu amei a capa. As letras grandes que ocupam quase todo o tamanho disponível, gera em mim uma curiosidade de quem as palavras estão escondendo. É como se o personagem estivesse metafórica e literalmente por detrás das palavras. Acredito que dê um ar de mistério. rsrs

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  18. Sidney Sheldon é um dos melhores.
    Não tem comparação.
    Ótima resenha.
    Bjos, Carol

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