[RESENHA] VikinG: Uma aventura no tempo e no espaço - Daniel de Carvalho


VikinG - Uma aventura no tempo e no espaço.
Autor: Daniel de Carvalho
Editora: Baraúna
ISBN: 9788579233050
Ano: 2011
Edição:
Palavras-chave: Romance brasileiro, século XXI
Skoob
Sinopse: Este romance foi escrito para você que se preocupa com o futuro da espécie humana e com as dificuldades que o nosso planeta Terra vem enfrentando neste século de grandes avanços científicos, mas também de grandes conturbações.

Espaço
Há dois distintos: a Península Escandinava (atual Noruega, mais especificamente a aldeia de Mors) e o planeta Arret. A distância que os separa é de 5 milhões de anos-luz.

• Caracterização: Arret não possui muitas descrições pelo fato de ser muito semelhante ao planeta Terra atual, o que já é suficiente para a caracterização. A aldeia e Mors e o litoral em que se encontra necessitam de uma descrição mais detalhada por conta dos fatores geoclimáticos naturais da Península; esta caracterização se apresenta com parcimônia e objetividade, situando o leitor da melhor maneira possível.

Tempo
Pelo teoria da Relatividade, os pesquisadores de Arret têm a possibilidade de visitar o planeta Terra há mais de 1 milhão de anos do momento atual de Arret. As linhas cronológicas de cada localidade expressam esta condição: Arret fervilha em seu desenvolvimento no ano de 2010 (1 milhão de anos após a Terra ter chegado a este ano) e Mors em época antecessora aos Vikings.

• Caracterização: Arret não possui caracterizações temporais profundas até os acontecimentos que mudam sua constituição política. Mors, por sua vez, tem sociedade, construções, instrumentos, pensamentos e crenças muito coerentes à realidade de 200 a.C.. Por exemplo, as referências à mitologia nórdica (Asgard, Helheim).

Personagens
Não há personagens determinantemente principais; todos têm o mesmo foco no livro, seja por suas ações ou diálogos. Os raros personagens secundários são Odin e os bárbaros vindos das terras longínquas.
O entrosamento é facilmente percebido pelas relações afetivas e de trabalho, tanto entre morseanos quanto entre arreteanos.

• Caracterização: é equilibrada de acordo com o papel das personagens na organização social da história, tornando-os complexos na medida fundamental. É coerente com o momento histórico: apesar das pesquisadoras arreteanas, as personagens são predominantemente masculinas.

Coerência entre tempo, espaço e personagens
A relação entre os 3 elementos é muito coerente e natural. Apesar de Arret ser estudada de forma marcante no ano de 2010, a época em que os pesquisadores saem de seu planeta é 2100; fiel, portanto, à tecnologia que poderia existir em tal época.
A organização social de Mors também é coerente: formação de Althings (com a presença de um rei), segregação entre homens e mulheres, caráter guerreiro dos indivíduos do sexo masculino apesar de suas profissões.

Narrador
3ª pessoa, ora onisciente, ora observador. É este narrador que introduz a teoria contida em forma de ficção dentro do enredo.

Conteúdo
O enredo se alterna entre os acontecimentos de Arret e Mors.
Mors vive em uma sociedade típica da Península Escandinava: os povoados bárbaros. O poder, neste momento, é concentrado nas mãos de Rei Vidar (não sendo uma forma de absolutismo) aconselhado por Kvasir. Vivem das trocas, da caça, pesca e incursões por outras terras.
Arret é um planeta à beira do caos. Os recursos suficientes para a população (que só aumenta) são insuficientes, há segregação social, nacionalismo, xenofobia e preconceitos. É em Arret que o autor concentra sua teoria: a de um Governo Central para todo o planeta, dividido, secundariamente, em províncias menores (o que ocorre nos Estados Federativos, como o Brasil). Assim, as intermináveis discussões seriam superadas, e as soluções adequadas, encontradas.
No "miolo", o autor poderia ter economizado nas descrições de Arret em 2010. A situação já era familiar para o leitor antes dos 3 últimos capítulos adiante que tratavam do mesmo tema. Ademais, por ser ficção, abordou a tese de forma suficiente para o gênero, embora superficial para uma teoria política.

Estrutura
VikinG é dividido em 48 capítulos alternados entre Mors e Arret.
O título é coerente com o estilo de vida dos morseanos, que lembram muito os povos Vikings. Além disto, é fiel ao subtítulo nos quesitos "tempo" e "espaço". A capa acompanha esta relação: um barco VikinG no espaço sideral.
Os diálogos são coerentes e suficientes para o decorrer da história.

Vocabulário
De modo geral, os aspectos sintáticos foram respeitados. Chama-se a atenção, porém, a alguns deslizes na colocação das vírgulas, o que quebrou o ritmo empregado no enredo nestas partes.
As regras de concordância e regência foram rigorosamente respeitadas.

Quotes
Os trechos abaixo foram selecionados pela carga reflexiva que contêm.

"Mergulhado em problemas, Arret chegou em 2010 como um navio naufragando, no qual cada camarote era soberano e tinha seu próprio comandante. E cada comandante punha seu camarote acima do interesse do navio."
Capítulo 6, página 31, 3º parágrafo.

"Arret assemelhava-se a uma orquestra com muitos maestros, cada maestro conduzindo ao seu modo. Assim, apesar de contar com excelentes músicos, a orquestra de Arret não apresentava harmonia."
Capítulo 9, página 50, 1º parágrafo.

"O nacionalismo exagerado, a xenofobia e os preconceitos estão transformando a nós, que somos irmãos, em inimigos mortais."
Capítulo 43, página 260, 9º parágrafo.

Avaliação
- Enredo: 9,5
- Capa: 10
- Caracterização das personagens e entrosamento entre as mesmas: 10
- Caracterização do tempo e espaço e coerência entre os mesmos: 10
- Aspectos gramaticais: 9,5

Nota final: 9,8


Gostou da obra?
Muito. A história me envolveu e me fez refletir constantemente acerca dos temas abordados como preservação e sustentabilidade, embora eu creia que a solução para o desgaste seja muito mais complexa que a apresentada; sou ferrenha defensora da Terra como um organismo vivo que, como tal, não dispensará defesas para acabar com o parasita (nós, que desequilibramos o sistema).

Recomendações
Todos estão convidados a ler este romance a fim de produzir uma reflexão e discernimento próprios acerca da solução proposta. Quanto ao enredo, recomenda-se em especial aos que simpatizam com histórias antigas, atuais e futuristas - reunidas neste livro.

O Autor
Daniel José de Carvalho surgiu como escritor durante as madrugadas de 2006, quando as lembranças da infância, o gosto por histórias de aventuras e o fascínio por personagens fortes, que conseguem superar grandes dificuldades, invadiram sua mente. Assim, foram ganhando vida a trama e os personagens de sua primeira obra, “Aconteceu no Século Vinte”. O autor é paulistano, nascido no bairro de Santana, em 1937. É casado há 51 anos com Neusa, a quem dedica todos os seus livros. Tem quatro filhos, oito netos e uma bisneta. Possui 5 romances publicados, dentre eles o lançamento "Viking - Uma Aventura no Tempo e No Espaço".


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COMENTÁRIOS

7 comentários:

  1. Que legal a capa desse livro! A sua resenha me deixou bastante curiosa para conferir a história :) Gosto muito de ficção científica, por isso esse livro vai pra minha lista de desejos! :D

    Abraços,
    http://leitorasanonimas.blogspot.com

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  2. Olá, "Leitoras"!

    A capa é realmente muito bonita, não é?
    Ah, que bom que gostou! Esse é um novo modelo de resenha: muito mais técnico, crítico e complexo. Espero que tenha acrescido alguma coisa!
    Ficção científica é o máximo. Por isso eu gostei tanto!
    Eu estou organizando um Viajante dele no Skoob. Se quiser, vá ao grupo Livro Viajante e procure pelo LV 385.

    Abraços e obrigada pela visita!
    Ana.

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  3. A parte "Vocabulário" da resenha é muito legal, nunca vejo resenhas dizendo especificamente sobre isso e utilizando os termos "sintáticos", "regência". É bem diferente, fiquei até impressionada, curti! :D

    Nunca li um livro nesse estilo, depois de ler a resenha, gostaria de lê-lo! :) Obviamente, já me inscrevi para o livro viajante! :)!

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  4. Olá, Mariana!

    Ah, eu fico feliz que tenha gostado. Eu sou uma ferrenha defensora da gramática como aspecto crucial de um livro! Sabe, há alguns erros que tiram o ritmo ou até alteram a sonoridade da história (até dentro da nossa cabeça!).
    Vai ler sim, claro! Espero que o viajante agrade, viu?

    Obrigada pela visita,
    Ana.

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  5. Ficção científica é um gênero que me chama a atenção, de vez em quando é bom ler algo assim.
    Bjos, Maria.

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  6. Acho que eu gostaria desse, adoro histórias com vikings, escoceses e etc.
    Bjos, Carol.

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  7. Já leu livros da Johanna Lindsey? São romances de banca. Li um tempo atrás um com viking que adorei.
    Bjos, Carol.

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